Idade Média
Fundada por ele (Li Yuan), a dinastia Tang (618-907) iniciou uma época de força e brilhantismo na história da civilização chinesa. Criaram uma administração centralizada e foi promulgado um elaborado código de leis administrativas e penais. Sob os Tang, a influência chinesa estendeu-se sobre a Coréia, o sul da Manchúria, o norte do Vietnã e o que é hoje o Afeganistão.
A força econômica e militar do Império Tang baseava-se num sistema de distribuição eqüitativa da terra para a população adulta masculina. Como resultado do crescimento demográfico, por volta do século VIII, os pequenos proprietários herdavam propriedades ainda menores, mas o valor do imposto se mantinha, o que motivava os camponeses a abandonar suas terras, reduzindo a receita do Estado.
O general An Lushan, em sua luta pelo controle do governo, precipitou uma revolta em 755. Após a rebelião, o governo central nunca mais foi capaz de controlar os comandantes militares das fronteiras, que transformaram seus cargos em reinos hereditários e retiveram os impostos do governo central. Esta situação se ampliou a outras regiões e, por volta do século IX, a zona que se encontrava sob o controle efetivo do governo central limitava-se à província de Chan-Si.
A decadência do budismo e a reaparição do confucionismo no final da era Tang deram lugar a uma nova e vigorosa ideologia, que proporcionou a base para uma civilização perdurável nos séculos seguintes.
À dispersão do poder político e econômico que marcou a dissolução da dinastia Tang sucedeu o chamado período das Cinco Dinastias (907-960) no norte, enquanto dez estados independentes se estabeleciam no sul.
O período das cinco dinastias terminou em 960, quando um chefe militar, Zhao Guangyin, proclamou o estabelecimento da dinastia Song. Por volta de 978, os Song controlavam a maior parte da China. Costuma-se dividir o período em etapa dos Song do norte (960-1126) e etapa dos Song do sul (1127-1279).
Os Song do norte limitaram em grande parte o poder dos militares das províncias e, subordinando o exército ao poder civil, reorganizaram o governo imperial, centralizando o controle efetivo na capital. No entanto, a debilidade militar transformou-se em problema crônico.
Por volta de 1050, quando se deteriorava a situação militar e fiscal, a burocracia civil estava dividida em grupos que propunham diferentes medidas reformistas. Os Song se aliaram, no começo de 1120, à dinastia Kin (1122-1234) do norte da Manchúria, em oposição aos Liao, que se voltaram contra os Song e marcharam em direção ao norte. Os Song se retiraram e em 1135 reestabeleceram sua capital em Hangzhou, na província de Zhenjiang.
Conduzida pelos Song do sul, a China meridional continuou a desenvolver-se com rapidez. No entanto, a dinastia foi dominada por um fator imprevisto: a força militar dos mongóis que, sob o comando de Gengis Khan, iniciaram uma série de conquistas que resultaram na formação do maior império conhecido até então. Gêngis Khan conquistou Pequim em 1215 e ampliou seu poder sobre o restante do norte da China.
Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, transferiu a capital mongol para perto de Pequim, de onde governou um império que se estendia da Europa Oriental até a Coréia e do norte da Sibéria ao sul da fronteira setentrional da Índia. Governaram como imperadores com o título dinástico de Yuan (1279-1368). Nesta época, chegou à China o mercador veneziano Marco Polo.
Havia, porém, crescente descontentamento. Durante a década de 1340, espocaram levantes em quase todas as províncias. Na década de 1360, Hongwu estendeu seu poder através do vale do Yang-tsé; em 1371, tomou Pequim e os mongóis se retiraram para o território da Mongólia, de onde continuaram a hostilizar os chineses.
Fundada por Wu, a dinastia Ming (1368-1644) revitalizou a civilização dos Tang e dos Song. Seu poder se consolidou de maneira firme ao longo da Ásia Oriental. Restabeleceu-se o governo civil e o império foi dividido em 15 províncias.
Os primeiros Ming restabeleceram o sistema de relações tributárias, mediante as quais os estados não chineses da Ásia Oriental reconheceram sua supremacia cultural e moral, enviando tributos. A capital voltou a Pequim. O poder se estendeu por todo o sudeste da Ásia e a Índia, chegando até Madagascar (ver Zheng He). No entanto, a partir de meados do século XV, o poder Ming começou a declinar.
Durante o período de decadência dos Ming, iniciaram-se as relações marítimas com a Europa. Os primeiros a chegar foram os portugueses, em 1521. Em 1570, começou o comércio com os assentamentos espanhóis nas Filipinas. Em 1619, os holandeses estabeleceram-se em Taiwan e tomaram posse das ilhas dos Pescadores.
A queda dos Ming foi provocada por uma rebelião que explodiu na província de Changzhi, como resultado da incapacidade governamental de proporcionar ajuda em momentos de fome e desemprego. Os Ming aceitaram a ajuda manchu para expulsar os rebeldes da capital e os manchus negaram-se a abandonar Pequim, o que forçou os Ming a retirar-se para o sul da China.
Sob a dinastia Tsing (1644-1912), os manchus continuaram absorvendo a cultura da China. Sua organização política se baseava na dos Ming, ainda que estivesse mais centralizada; o organismo administrativo máximo foi o Grande Conselho.
Em meados do século XVIII, durante o reinado do imperador Qian-long, a dinastia Qing chegou ao apogeu do poder. A Manchúria, a Mongólia, Xinxiang e o Tibete encontravam-se sob seu controle; inclusive no Nepal percebia-se a influência chinesa. A Coréia e o Vietnã do Norte reconheceram a soberania chinesa e Taiwan foi anexada.

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